UM NOVO COMEÇO

Quando fui à primeira consulta com meu atual médico, estava tomando um medicamento chamado Allurene, que seguraria minha menstruação e assim manteria minha endometriose sob controle.

Ficou combinado que assim que minha menstruação viesse, eu entraria em contato com ele para dar início ao novo procedimento de FIV.

Nossa primeira fertilização foi muito traumática, por vários motivos, o primeiro deles claro, é que não tivemos o resultado esperado, o segundo é que contamos apenas para a família, mas outras pessoas de fora ficaram sabendo e as perguntas… DEU CERTO? E AI, VAI VIR GÊMEOS? TÁ COM ENJOO? Me cortavam por dentro, pois essas pessoas não sabiam que não tinha dado certo… e eu tinha que reviver toda aquela angústia de novo pra explicar que não havia sido dessa vez. Sério, não fiquem perguntando.. “E aí, quando vem o bebê???”, isso machuca demais… Leia este Post aqui e entenda o que estou falando.

Então, para evitar todo esse transtorno que tivemos, decidimos, eu e meu marido que a próxima FIV que faríamos, a gente não iria contar pra ninguém, ninguém mesmo.. nem pras nossas mães… e assim fizemos.

Com essa decisão tomada, agora tínhamos que aguardar a menstruação descer… e no início de agosto ela apareceu!

Mais que depressa mandei um whats para o Doutor (sim, ele responde whats e muito rápido, eu tiro todas, TODAS as minhas dúvidas com ele…), mandou meus medicamentos pela irmã dele… ahh não sei se falei, mas o valor da FIV que é menor do que somente os honorários que paguei pro meu médico anterior, já inclui todos os medicamentos que vou precisar tomar.

Peguei aquela caixinha… até me assustei quando vi que tomaria Clomid (indutor de ovulação) e mais 3 injeções… Epa!!! Só isso??? Hahahaha não acreditei.. na outra tomei mais de 20 injeções em menos de 10 dias!!! Não estava acreditando!!! Era muito bom e tranquilo pra ser verdade!!!

Tomei 2 Clomid por dia e no sétimo dia de Clomid fui fazer uma US para contagem dos folículos. Confesso que não estava muito confiante, afinal, nem inchada não estava, tinha medo de não ter folículos e consequentemente não ter óvulos para a FIV que estava prestes a fazer…

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A história continua…

A CONSULTA!

Como disse no Post anterior, depois de tanto bater a cabeça e gastar dinheiro com vários médicos, ser mal atendida por alguns deles, finalmente conheci um médico que pôde me apresentar a luz no fim do túnel que eu tanto buscava!

Para marcar a consulta, consegui um telefone por indicação de uma amiga muito querida e pelo Whatsapp consegui minha data! Já fiquei feliz por ai…

Tá Talita, mas qual o nome desse médico? Haha sim, recebi várias mensagens de leitoras me perguntando o nome do meu médico e devidamente autorizada, meu médico é o Dr. Vinícius Stawinsk (segue ele no Insta @dr.vinicius.stawinski, ele dá várias dicas para nós tentantes)

Devido aos acontecimentos do mês de março, onde tive minha primeira FIV negativa, um quadro de hiperestimulação (falo tudo nesse Post aqui), eu estava bem desanimada e desmotivada, ao mesmo tempo que queria muito conquistar o sonho de gestar, o desanimo me abatia.

Além de tudo isso, ainda tinha o desfalque financeiro, por mais que eu e meu marido, desde quando soubemos que uma gravidez espontânea seria praticamente impossível, começamos a guardar um dinheiro especificamente para o momento FIV que estava cada vez mais perto. Mas mesmo assim, os valores de honorários com meu antigo médico, bem como as medicações que eu tomei, nos causaram um baque orçamentário grande!

Mas quando começamos a conversar e o Dr. Vinícius já de cara falou que Fertilização In Vitro não é mais um bicho de sete cabeças, que hoje em dia já está bem mais acessível e muito mais humano (oi? Minha primeira não foi nada humana!!! Hahaha), isso acabou me animando e me dando uma esperança que já estava bem guardadinha no meu coração!

Algo que achei muito interessante no protocolo do Dr. Vinícius e é diferente dos outros médicos que já me consultei, é que ele apenas faz a FIV, ele é especialista em FIV, investigações, tratamentos e até mesmo o acompanhamento depois de um positivo, você faz com seu obstetra de confiança e preferência e isso ele deixa muito claro já na primeira consulta.

O que mais me encantou em tudo isso, é a franqueza e o tratamento médico/paciente, onde você sabe exatamente o que vai acontecer e o protocolo a ser seguido, sem surpresas ou valores não informados!

Agora vamos ao que interessa, valores… quase caí pra trás quando ele me disse o valor da Fertilização… sério… como paguei tão caro assim? Com o valor que paguei na primeira, poderia fazer umas 3 com o Dr. Vinícius… mas tudo ao seu tempo né!

Ah, a clínica onde todos os procedimentos são feitos fica em Ribeirão Preto/SP, ótima clínica por sinal, muito conceituada e com alta tecnologia.

Saímos do consultório, eu e minha mãe encantadas com o atendimento e com as esperanças renovadas, certas que dali em diante as coisas poderiam começar a melhorar.

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A história continua…

TÁ, MAS E AGORA?

Ok, decidimos que lá não iríamos mais, amamos o médico de Prudente, mas pra nós era muito fora de mão… então o que faríamos?

Começamos a ir atrás de médicos de Maringá mesmo, sabia os nomes dos quais eu não queria me tratar de jeito nenhum, mas precisava de mais informações de uns novos que estavam chegando na cidade!

E veio até mim, através de uma amiga muito querida o nome do médico que me acompanha até hoje.

Mais do que depressa, liguei e marquei uma consulta. Já era junho de 2017 e não aguentava mais esperar…

Ahhh!!! Lembra meu joelho? Então fui a um especialista que pediu uma ressonância? Pois é, fiz e o resultado foi que eu estava com várias fissuras em todo o meu joelho. Ele me disse que não valeria a pena uma cirurgia, mas que teria que fazer uma reposição de cálcio e me indicou Pilates. Me ajudou muito, enquanto tinha muita dor, fiquei no Pilates, conforme fui melhorando, voltei finalmente para academia. Hoje já não sinto mais dor, acho que o pior passou.

Fiz muitos exames, brinco que um deles quase foi uma doação de sangue, afinal foram umas 12 ampolinhas daquelas sabe!!! Hahaha deu até uma fraqueza na hora de levantar da  cadeira. Em um deles, apontou uma possível Trombofilia, mais uma coisa pra conta… afff, sério isso?

Mas tudo bem, estava determinada a trocar de médico e confiante de que nossa hora chegaria.

O dia da consulta chegou, meu marido não pode me acompanhar então minha mãe foi junto. Chegamos lá, um lugar bem bonito… já gostamos…

A consulta era particular e descobri lá que não aceitavam cartão, mas a secretária gentilmente aceitou que fizesse um depósito bancário… achei muito fofo!!!

No horário marcado, (isso é muito importante, quem é tentante sabe o que estou dizendo… já fiquei horas esperando pra ser atendida, e quando chegou  minha vez, em 5 minutos já estava sendo “mandada” embora), fomos convidadas a entrar no consultório! Uau, isso não acontecia comigo há mais de 4 anos, já gostei mais ainda!

O médico… gente que cara animado, pra cima… nos atendeu com tanta atenção, explicou tuuuudo pra minha mãe, como funciona a FIV (se você não sabe, clica aqui que eu explico).

Saímos de lá com a certeza que esse seria meu médico dali em diante!

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A história continua…

É SÉRIO ISSO GENTE?!

Chegamos a clínica, fomos muito bem atendidos, passei por uma enfermeira que olhou todos os meus exames, me fez várias perguntas, anotou tudo, fez tipo um relatório… achei bem legal isso!

Depois de minutos fomos chamados para o consultório do médio, que nos fez várias perguntas novamente, fomos respondendo tudo e a dor no joelho me consumindo!

Quando falei que havia feito o tratamento com o Zoladex, ele arregalou o olho. Perguntou quando havia feito esse tratamento e quantas injeções havia tomado. Respondi que a primeira, ele já me cortou, como assim a PRIMEIRA? Você fez o tratamento mais que uma vez? Respondi que sim, em 2016 tomei 7 injeções, e agora depois da FIV negativa iria tomar pelo menos mais 3, que já havia tomado 2…

Ele me cortou novamente, explicou que esse é um protocolo que não é indicado há mais de 6 anos, que existem outros meios e medicamentos com efeitos colaterais bem menos agressivos que Zoladex, que se mau administrado, pode causar perda óssea! Nesse momento, eu e o Hugo nos olhamos e apontamos para o meu joelho! É claro, esse poderia ser o motivo dessa dor inexplicável!

O Doutor então indicou que fossemos urgente a um ortopedista especialista em joelho e contasse que havia feito o tratamento de 9 meses com zoladex. Eu poderia estar passando por uma perda óssea e nem sabia!

Ele fez exames em mim, viu que estava aparentemente tudo bem e que eu havia liberado 4 óvulos!!! Afff mais essa??? Com duas injeções de zoladex (que deveria me induzir à menopausa) e eu liberando 4 óvulos? E o risco que estava correndo de gerar uma anomalia??? Na certa eu ainda estava sob efeito da hiperestimulação que tive na FIV que havia feito em março, não leu o Post? Clica aqui!

Ficamos muito, mas muito bravos. Tínhamos consulta com meu atual medico no outro dia, saímos de Prudente com a certeza que nunca mais pisaríamos no consultório do médico que fez minha FIV. Mas depois com calma, resolvemos ir até lá pra conversar e tentar entender o que passava naquela cabeça!

Quando chegamos lá, no outro dia, a secretária já queria me encaminhar direto para aplicar outra dose de Zoladex, disse não, e que queria conversar com o médico primeiro. Entramos no consultório dele e de cara o questionamos a respeito do efeito colateral de perda óssea no caso de Zoladex em excesso, ele gaguejou, desconversou e disse que isso é falácia e que não ocorre, mas no fim respondeu que não mais aplicaria e que já daria início a uma nova FIV! Hum??? Dinheiro dá em arvore agora? Me dá uma muda, porque não tenho não!

Ainda o questionamos com respeito a outros detalhes, que não cabe falar aqui e que também ficamos sem respostas!

Resultado, saímos de lá pra nunca mais voltar!

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A história continua…

BOLA PRA FRENTE

Pois é, vamos aos possíveis destinos. Eu sempre amei praia, quando penso em viajar a primeira opção que vem em minha mente é: PRAIA!

Amo a sensação, o clima, areia no pé, o barulho das ondas do mar, a brisa, o sol… ah… amo o sol!!!

Quando casamos, essa era uma discussão que tínhamos, o Hugo no começo não era muito fã da tal da praia, mas porque na família dele, não havia o costume de ir a praia, na verdade nem de viajar ele conta que não tinham costume.

Mas, coisa boa a gente aprende rápido e praia é coisa boa né amores… rapidinho ele aprendeu a gostar também, e desde então, essa é nossa primeira opção.

Em 2016 fomos a Cancun no México e amamos aquele lugar. Bem próximo a Cancun existe uma ilha chamada COZUMEL, linda, paradisíaca e esse foi o local escolhido para passarmos uns dias de tranquilidade e olha!!! Ótima escolha viu!!!

Nesse meio tempo, chegou a hora de tomar a segunda injeção de Zoladex, fui à clínica e o médico olhou pra mim perguntou meu nome, se eu estava tomando uma vitamina específica, respondi tudo conforma a última vez que havia ido lá, inclusive ele ficou surpreso quando disse que minha menstruação havia descido normalmente, (detalhe, já me tratava com ele há mais de três anos, ele sequer sabia meu nome e nem lembrava que dias antes havia lhe informado a respeito da menstruação). Fiquei furiosa. Saí da clínica com muita raiva, mas fazer o que, era o que tinha para o momento!

Dias depois, chegou a nossa viagem. No entanto, uma dor muito estranha apareceu no meu joelho direito. Não tinha batido, nem forçado na academia (porque eu não estava frequentando uma, só por isso mesmo! Hahaha).

Era uma dor tão grande, que mal conseguia andar, sentar, ou seja, não conseguia fazer nada. Fui a um ortopedista que fez um raio X, que não apontou nada, me passou uns medicamentos pra dor e assim, fui viajar.

Eu estava muito revoltada com meu médico e em conversa com uma amiga que passava pela mesma situação, ela me indicou um médico de São Paulo. Decidimos que quando retornássemos da viagem, iríamos pra lá fazer uma consulta aproveitando nossos últimos dias de férias.

Chegamos em uma terça, e na quarta fomos à Presidente Prudente para nossa consulta. Nesse dia, meu joelho doía parado, uma dor que nunca havia sentido. O Hugo teve que praticamente me carregar pra conseguir chegar até o consultório. A gente simplesmente não entendia o que estava acontecendo.

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RETORNANDO, PRO INÍCIO?

E olha quem resolveu tomar posse do Blog novamente?! Sim, euzinha… Talita… meu digníssimo marido deixa de escrever nesse momento e a bola passa para mim novamente…

Depois de alguns meses com o Blog abandonado… retorno ao momento onde paramos… Minha primeira FIV negativa que ocorreu em março de 2017 (se você não leu começa a partir daqui).

Depois dos 14 dias de espera para fazer o exame pra saber se deu certo ou não e quando você finalmente pega o resultado e este não é o que você esperava, uma série de dúvidas, culpa, vem à sua cabeça… por que não deu certo? Será que fiz algo errado? Não deveria ter feito tal coisa… deveria ter me cuidado mais… será que tenho algo a mais que está atrapalhando a implantação do embrião?

Meu exame fiz na segunda feira, e fui ao médico na outra semana, chegando lá o questionei se haveriam investigações a fazer, exames.. e a única resposta que recebi foi a de que teria que retornar o tratamento com Zoladex. O que??? De novo??? Mas e a promessa que o tratamento com esse medicamento ocorreria apenas uma vez na minha vida? Como assim, vou ter que passar por isso tudo de novo???

Muitas perguntas na nossa cabeça, a frustração do negativo, a dificuldade em responder às pessoas que vinham saber se “havia dado certo”, gente como isso é dolorido! Sério, não façam isso com uma tentante!

No mesmo dia que fui à clínica, já tomei a primeira injeção de Zoladex. Picada doída, a região fica roxa e tenho cicatriz dos furinhos na minha barriga, mas… tudo pelo sonho de gestar um bebê.

O mês continuou, vida que segue. E uns 20 dias após eu ter tomado a primeira dose da injeção, seriam pelo menos mais três, minha menstruação veio! Da primeira vez que fiz o tratamento, logo na primeira não menstruei mais, mas dessa vez sim!

Liguei para o médico, expliquei a situação e ele disse que era normal isso acontecer, achei estranho, mas aceitei.

Pra quem me conhece, sabe que eu e meu marido AMAMOS viajar… se der uma passadinha no meu Instagram (@talitanegri clica aqui pra seguir), vai ver que temos várias fotos de viagens que fazemos. E pra nós, não há nada melhor pra esquecer uma frustração de uma FIV negativa do que… isso mesmo, viajar…

Um dia, depois de chorar muito e conversar com Deus, resolvemos que iríamos viajar, pra um lugar lindo, tranquilo, no qual pudéssemos descansar e contemplar a natureza de Deus… e assim fizemos!

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A história continua…

ETIMOLOGIA

Continuando a história, esta primeira cirurgia foi bem. Minha querida voltou para o quarto dormindo como um anjo e assim permaneceu pra só começar a voltar da anestesia duas horas depois! Claro que durante este tempo ela acordou em alguns momentos pra fazer perguntas repetitivas e pedir água. Pra mim era tudo novo e achei que aquilo era normal.

De uma forma ou outra, foi. Pra mim, a preocupação era com o pós cirúrgico, com a recuperação. Foi então que passei a ser o reloginho dos remédios e olha que foram muitos!!! Controlava tudo, marcava nas caixas e nos alertas do celular: no meu e no dela. Cuidando com a alimentação e ainda procurando conduzir o carro de forma suave. Acho que deu certo pois ela rapidamente se recuperou.

Quando voltamos ao médico as notícias não foram animadoras pois ele classificou a endometriose com “severa”. Ainda que existam várias classificações ou explicações, essa palavra resume o meu sentimento. Etimologicamente, “severo” significa, entre outras coisas, “pouco ou nada inclinado à indulgência; que impõe as condições com todo o rigor; rígido, rigoroso e inflexível. Vem do latim sevērus: grave, sério, íntegro, incorruptível” [Referência Bibliográfica].

E realmente esta infecção chamada endometriose tem imposto suas condições com todo o rigor em nosso caminho, sendo rígida e rigorosa ainda que sobre o ataque dos instrumentos cirúrgicos, além de grave e séria na opinião do médico.

Saindo do consultório minha cabeça borbulhava. Primeiro não me preocupava com gravidez, depois achava que nada era necessário, depois pensei que a cirurgia seria suficiente e agora parecia que as coisas estavam meio que sem controle (não que atualmente estejam neste assunto!). Entramos no carro e um silêncio sobreveio dentro da cabine. O rádio não tinha graça, as músicas do pen drive eram inaudíveis à mente. Estávamos entrando num caminho totalmente desconhecido e que, ainda que achássemos já estar desbravado pela medicina, ainda nos traria muitas surpresas.

Oitava confissão: hoje minha opinião é que em nosso caso, depois de anos, poucas perguntas foram respondidas. Poucas conclusões foram possíveis e os médicos consultados ainda não chegaram a um consenso, ou seja, na prática, a jornada ainda continua como após aquela informação do médico: existem mais perguntas do que respostas.

Segundo o médico, uma jornada de seis meses com o uso de um medicamento chamado Zoladex seria necessária para conter os focos da inflamação e mais uma vez eu seria testado e obrigado a fazer algo que nunca imaginei antes…

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A história continua…

AMNÉSIA PARTE 2

Até aquele momento a minha adrenalina estava nas alturas e achava que estava lidando bem com a situação. Quem me conhece sabe que sangue não é minha praia, mas o senso de urgência nos faz ultrapassar essas barreiras e fazer o que deve ser feito, que naquele momento era cuidar da Talita. Seu choque estava passando e mais dores começaram a surgir.

Até então, acho que ela não tinha se ligado direito do corte no queixo, quando viu o sangue na gaze, perguntou o que era e eu caí na besteira de falar que ela havia cortado o queixo. Aí, me infernizou que queria ver…

Porém, quando ela se olhou no espelho e viu a ferida aberta em seu queixo, uma emoção, um estado de pânico subitamente a fez chorar muito e começar e tremer.

Eu a abracei e tentei acalmá-la, foi então que aos prantos ela me perguntou: “Amor, o que aconteceu comigo? Porque estou machucada? Onde eu caí?”

Não sei se você já passou por algo parecido com alguém, não sei se você conseguirá sentir metade do que senti ou sinto agora, mas não tenho como descrever a sensação.

Respondi todas as perguntas e ela continuou chorando. Um minuto depois ela perguntou: “Amor, o que aconteceu comigo? Porque estou machucada? Onde isso aconteceu? Porque não me lembro? Será que vou lembrar das coisas?”.

Foi então que fiquei realmente preocupado. Mesmo respondendo com calma às suas perguntas, ela continuou perguntando as mesmas coisas, seguidamente, e após ouvir minhas respostas, com lágrimas, ela me questionou por mais 3 vezes!!! Ela não lembrava da queda, da ferida, e ficou ainda mais desesperada quando percebeu isso.

Fomos ao médico. Limpamos os machucados e fechamos a ferida maior. Foram 5 pontos no queixo e duas horas depois ela lembrou da queda, do meu atendimento e da ida ao posto, mas nunca mais lembrou dos difíceis momentos no banheiro, do choro e das perguntas.

No início de todo o tratamento, quando as coisas começam a dar errado e a gravidez demora, muitas pessoas diziam: “Esqueça de querer engravidar, relaxa, que então dá certo”. Até mesmo eu por algumas vezes falei isso pra ela, tanto com tom de aconselhamento como por desabafo e até mesmo com indignação.

Hoje me arrependo… Hoje a sexta confissão é: nunca diga pra ela esquecer.

Não se esquece uma ferida aberta que gera dor mesmo sem se perceber. Não se esquece um amor, ainda que se queira negá-lo.

A cada ciclo finalizado ou iniciado. A cada consulta médica. A cada relato de quem “conseguiu” (esta palavra é a mais utilizada quando alguém engravida, porém, não concordo mais que seu sentido é adequado para o caso, pois engravidar não é algo que se “consegue”, mas é história pra outro dia), a cada relação, a cada texto postado aqui… lá no fundo… nós mexemos na ferida que está aberta.

Nunca diga para uma mulher que quer ser mãe esquecer desse sonho. Este é o tipo de amnésia que nunca dará certo, muito menos com palavras.

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A história continua…

E AGORA, O QUE EU FAÇO?

Senti a necessidade de aprofundar o assunto da endometriose na visão do homem e espero que isso dê certo!

Na verdade, deixando um pouquinho de lado a questão da fertilidade e do diagnóstico médico, a quinta confissão é prática: saber que uma vez por mês minha esposa passaria de 2 a 3 dias com cólicas de intensidades desconhecidas era simplesmente aterrorizante, e talvez assim também seja pra outros maridos.

Como ela fez uso dos anticoncepcionais por muitos anos, eram raras as vezes que as cólicas menstruais realmente me incomodavam, sempre dava pra levar numa boa e a vida seguia.

Mas quando ela parou de utilizá-los e as primeiras vieram me vi totalmente despreparado para aqueles momentos: a dor começa fraca, logo vêm as primeira reclamações e aí o bicho pega, ela rolava na cama de um lado para o outro, se esticava ou virava um “tatu-bola, as vezes parecia até que tinha parado de respirar.

E o marido que não é médico e nem enfermeiro faz o quê nessas horas?

Falar que daqui a pouco passa é assinar o atestado de óbito. Dar mais 50 gotas de Ponstan ou qualquer outro remédio para cólicas menstruais, não vai ajudar imediatamente também. Morrer não vai né (eu acho). Só ficar olhando também é zueira e a sensação de impotência é terrível.

Sem falar nas quedas de pressão, vômitos, desmaios, e tudo mais que a dor causa… o desespero que eu ficava, pois me sentia de mão atadas! Lembro de uma vez que precisei chamar um enfermeiro pra aplicar Buscopan, glicose e adrenalina na veia, pra Talita conseguir se recuperar.

Resumo da ópera: quando a mulher prevê a crise, já nas primeiras dores, como precaução precisará aderir às drogas, tudo que tiver às mãos, USE, para evitar que as dores se agravem… vale também, providenciar aquela velha e útil bolsa térmica que pode ajudar no alívio (mesmo que a gente saiba que a vontade é de jogar a bolsa na cara do marido).

Enfim, mulheres, fica a dica: nós não sabemos o que fazer, mas sabemos que tá doendo pra caramba, então, mesmo em meio à sua angústia tente compreender que a cara de pamonha é 99% desespero. Assinado: marido.

P.S.: Compartilho uma foto que representa bem minha esposa no período de cólicas.

ENDOMETRIOSE, O QUE É?

 

Quem está tentando engravidar sempre busca informações dos possíveis motivos de o positivo tão esperado ainda não ter chegado e eu não era/sou diferente.

O Google coitado, já está até enjoado de tantas coisas que pesquiso a respeito.

Mas você que está lendo, mesmo que nem passe por sua cabeça ser mãe, leia até o final desse post (tá grandinho, mas vale) ele pode te ajudar…

Eu já tinha ouvido falar a respeito da endometriose e sabia vagamente do que se tratava e bem mais ou menos a respeito de sus sintomas.

Mas eu não tinha endometriose, EU NÃO!

Quando meu médico me disse que a probabilidade de possuir a doença era de 98%, me preocupei, mas nem tanto, porque conhecia várias portadoras que já eram mães e comigo não seria diferente (olha que pensamento positivo Brasil).

Então fui procurar a respeito da endometriose e descobri que:

Trata-se de uma doença INCURÁVEL, apenas com tratamentos para aliviar a dor e amenizar outros sintomas (o pensamento positivo ali de cima, já não tava mais lá aquelas coisas…).

Endometriose é uma doença caracterizada pela presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, bexiga, intestino, ovários, trompas. Todos os meses o corpo feminino se prepara para uma gestação, deixando o endométrio com uma camada espessa para que o óvulo fecundado ali se implante e de início a uma gravidez.

Em um ciclo de uma mulher normal, não havendo fecundação e implantação, essa camada do endométrio de descola ocorrendo a menstruação e tudo é eliminado.

Com as mulheres portadoras da endometriose, um pouco (no meu caso MUITO) desse sangue (tecido endometrial) migra no sentido oposto e cai nos ovários ou na cavidade abdominal, causando a lesão endometriótica. As causas desse comportamento ainda são desconhecidas, mas sabe-se que há um risco maior de desenvolver endometriose se a mãe ou irmã da paciente sofrem com a doença, (não é meu caso, minha mãe não teve/tem problema algum para ter filhos, mas pode ser o seu).

É importante prestar atenção aos sintomas:

Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, 60% têm dor e infertilidade, e 20% apenas infertilidade.

Existem mulheres que sofrem dores incapacitantes (EU! Só no primeiro dia) e outras que não sentem nenhum tipo de desconforto. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação;
  • Dor pré-menstrual;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Dor difusa ou crônica na região pélvica;
  • Fadiga crônica e exaustão;
  • Sangramento menstrual intenso ou irregular;
  • Alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação;
  • Dificuldade para engravidar e infertilidade.

A dor da endometriose pode se manifestar como uma cólica menstrual intensa, ou dor pélvica/abdominal na relação sexual, ou dor “no intestino” na época das menstruações, ou, ainda, uma mistura desses sintomas.

Fontes: Dr. Sergio dos Passos Ramos CRM17.178 – SP

Lima, Geraldo Rodrigues de; Girão, Manoel J.B.C.; Baracat, Edmund Chada. Endometriose. In: Ginecologia de Consultório. 2003.1ª Edição. P.165-173. Editora de Projetos Médicos. São Paulo-SP.

No meu caso, os sintomas não eram recorrentes, acredito que por isso que nunca passou na minha cabeça que poderia ser portadora.

As cólicas menstruais, quando ocorriam, eram sim intensas, tinha muito vômito, tonturas e muita fraqueza, diarreia, dor no corpo inteiro principalmente nas costas e pernas.

O que eu ouvia falar sempre, era que quem tinha endometriose deveria ter dor em TODOS os dias da menstruação (informação totalmente equivocada) e por não ter dor todos os dias da menstruação, eu acreditava não ter endometriose.

Se a doença for detectada logo no início, o tratamento poderá ser instituído precocemente, aumentando a efetividade de alívio dos sintomas. Para isso, a mulher deverá relatar ao médico as situações atípicas e quaisquer outros problemas que possam ser sintoma da endometriose.

Com minhas várias pesquisas a respeito, depois da descoberta da doença, comecei a procurar meios naturais de amenizar minhas cólicas e o imenso desconforto mensal. Encontrei então um estudo feito a respeito da eficácia do Resveratrol para doenças inflamatórias como a endometriose, por exemplo.

Este composto encontrado na natureza é ótimo para várias outras coisas sendo que me ative ao meu caso em particular, mas esse será um assunto para um único Post… Aguardem!!!

O objetivo aqui é auxiliar as mulheres com endometriose ou suspeita da doença além de conversar com seus médicos, na coleta e organização de informações relacionadas ao ciclo menstrual, como dor, impactos nas rotinas diárias e padrão de sangramento. Dessa forma, a conversa com o especialista fica mais fácil.

Consulte seu médico, caso tenha qualquer desses sintomas ou reações…

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A história continua…