BURACO NA ALMA

Assunto sério e delicado de hoje. Perder um bebê!

Eu não posso falar sobre isso com propriedade, porque só tive um único positivo em anos de tentante, que é da minha princesa Victoria que cresce a cada dia!

Quando descobri que estava grávida, decidi juntamente com meu marido que somente contaria a todos após as 12 primeiras semanas, que é quando o risco de aborto espontâneo diminui drasticamente e assim fizemos, contamos apenas para nossos pais e irmãos!

O medo no início da gestação de perder o bebê é muito grande, você não tem barriga aparecendo, não sente nada mexendo (claro, é muito cedo) e pra você ter noção, ficava feliz quando dia ou outro, vomitava do nada!

Tenho algumas amigas que já passaram por essa triste experiência, a de perder o bebê. Eu não consigo saber o que é a dor de ter uma gestação interrompida, mas hoje, posso apenas imaginar o que seria de mim, se a Vic não tivesse mais comigo. Deve ser uma tristeza sem fim!

Eu sei que o aborto abrange a qualquer tipo de gravidez, seja ela espontânea ou fruto de um tratamento médico. Entretanto, casais com dificuldade de engravidar tem 15% a mais de chances de passar por esse momento tão triste.

Mesmo tendo engravidado naturalmente, esses 15% me assombravam.

Se você que está lendo esse texto, já passou por isso, com toda certeza teria muito mais propriedade pra falar qualquer coisa a respeito.

A minha ideia aqui, é mostrar pelo menos um pouquinho que a questão do aborto é muito mais delicada do que podemos imaginar. Muitas mães, senão todas elas, que passaram por isso, carregam um buraco nos sentimentos pelo resto da vida!

Não sou psicóloga, não pretendo com esse Post aconselhar, ou falar o que se deve ou não deve fazer. O que pretendo é de alguma forma dizer que: mãezinhas que passam por isso… estamos juntas, não desanimem, apeguem-se a esse Deus que é muito maior que tudo isso que passamos nessa terra e Ele irá recompensar toda dor e sofrimento que temos aqui.

Por isso, da mesma forma que devemos evitar dar bons conselhos aos casais tentantes, a frase “é só engravidar de novo, que esquece esse que perdeu” é terrivelmente dolorosa para a mãe que perdeu seu bebê. Um filho, é um filho, não importa se ele já nasceu, ou se ainda nem fez com que a mãe sentisse um chutinho dele! A dor será imensa igualmente!

Vamos ser mais cuidadosos, na maioria das vezes, é melhor ficar quieto e apenas dar carinho e colo aos casais que perderam seus bebês, do que falar somente por falar e machucar ainda mais.

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A BENÇÃO

Hoje não tem texto! Hoje tem vídeo!

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A história continua…

AMNÉSIA PARTE 1

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Durante nossa saga em busca da maternidade, a vida continua e outros tipos de quedas podem acontecer, inclusive uma queda de bicicleta aos 29 anos de idade! E foi isso que aconteceu com a Talita…

Num belo domingo pela manhã resolvemos dar um passeio de bike com os amigos. Levantamos cedo e enquanto ela acabava de tomar café, desci até a garagem para preparar as “magrelas”. Primeiro a bicicleta dela: esquecida há meses no cantinho da parede, enfim, veria a luz solar. Enchi os pneus, conferi os freios, limpei o banco e entreguei pra ela, que estava ansiosa.

Enquanto preparava minha bicicleta, ela insistia para eu ser rápido; ela já estava lá na rua montada e animada para o passeio, enquanto eu lidava com os pneus. Foi então que propús que ela partisse sozinha e eu a alcançaria em minutos, e assim foi.

Porém, momentos após a saída, alguém aparece em frente o portão dizendo: “Moço, acho que é a sua esposa e ela caiu da bicicleta”.

Até hoje fico angustiado em lembrar daquele momento, saí correndo da garagem e quando cheguei na rua via a Talita sentada no meio fio há 20 metros de casa olhando para o nada, um rapaz tentando ajudar de um lado e a bicicleta caída do outro.

Quando cheguei, seu queixo estava pingando em sangue, sua mão e orelha esquerda raladas, o lado direito das costas machucado e ela em estado de choque. Ninguém sabia o que tinha acontecido, mas aparentemente ela acionou o freio da roda dianteira e capotou. Não bateu a cabeça mas estava sem capacete – fica o alerta para todos que gostam de bike: sempre use os acessórios de segurança, principalmente luvas, capacete e óculos.

Eu a trouxe para dentro de casa ainda assustada e ao levá-la para o banheiro comecei a limpar seus ferimentos. Pedi para que ela segurasse uma gaze no queixo pois ele sangrava muito, enquanto eu arruma o resto. Quando olhei o ferimento percebi que estava feio e disse que precisaríamos ir ao posto de saúde para o médico analisar. Foi quando ela disse que queria ver o ferimento no espelho.

Eu insisti para irmos ao médido mas ela não aceitou sair de casa sem antes olhar seu rosto no espelho. Tudo bem, pensei eu, quem sabe vendo o sangue, a ferida aberta, ela concorde em ser atendida, mas o que eu não esperava era a reação que viria depois disso, era algo que eu nunca tinha presenciado…

(Continua)

Quer saber mais? Já caiu de bicicleta depois de grande e pagou o maior mico? Se identifica? Comenta aqui em baixo…

 

FERIDA ABERTA

Eu já falei um pouco sobre isso em algum Post, mas acho válido ter um específico sobre esse assunto.

Para quem sonha em ser mãe e não consegue, esse insucesso, se é assim que posso me referir ao fato de não se atingir o objetivo, acaba se tornando uma ferida aberta.

É um sentimento difícil de lidar, uma montanha russa de sentimentos, na mesma hora em que se está bem, pode cair em uma tristeza profunda e sem explicação pelo simples fato de ter visto uma mulher grávida!!!

Vamos à ilustração, quem aqui nunca caiu e estourou o joelho, daquele jeito que fica vermelho e brilhoso… ardido, sensível… conseguiu imaginar? Sim, desse jeito mesmo…

Agora, você com seu joelho todo ralado, ardendo, vermelho, vem uma pessoa que até quer o seu bem e molha o dedo em uma salmoura e toca no seu machucado, como você reage? Lembre-se que essa pessoa só quer seu bem, só quer lhe ajudar…

Opção 1: fica feliz e agradece

Opção 2: xinga até a 4ª geração da pessoa (dá vontade as vezes)

Opção 3: faz cara de paisagem e finge que não doeu

Essa pessoa só quer ajudar, mas doeu menos quando ela meteu o dedo no seu machucado pelo simples fato de querer ajudar? Não né?!

O que todos devemos entender, é que nós tentantes temos nossa ferida aberta, que somente cicatrizará quando a benção do filho chegar! Muitas vezes, essa benção pode nunca chegar e a ferida nunca fechar!

Eu sei que muitos que me perguntam, “e o bebe quando vem?”, ou pior, “já tá na hora heim… depois que fica velho é difícil ter bebe”, ou ainda “nossa, ainda não tem filhos??? Minha filha já tem 2, e tá grávida do terceiro, aconteceu… acredita que ela nem queria”!!!!

Sério gente, minha vontade era a de utilizar a opção 2 que você leu ali em cima! Mas minha mãe me deu educação suficiente de sorrir, desconversar e fazer cara de paisagem!!!

Já saí várias vezes de locais em que choveram mil e uma perguntas do porquê de ainda não ter filhos, me tranquei no banheiro e chorei, chorei por não poder responder como queria, chorei porque eu sei que muitas das pessoas que perguntam não fazem por mal, na verdade não fazem ideia do que acontece na minha vida!!! Nem quão delicada é essa questão para mim…

Por isso, sei lá… DICA IMPORTANTE… por mais que você tenha uma vontade enorme de saber se a pessoa tem, quer ter filhos, não pergunte, ou se a curiosidade for muito grande e incontrolável, pergunte a uma pessoa próxima… provavelmente ela saberá lhe dizer se há algum problema nisso ou não.

Muitas mulheres não querem ter filhos e OK… a resposta pra elas é tranquila, é uma opção delas e deve ser respeitada, mas em outros casos, como o meu… eu quero e não consigo… FERIDA ABERTA LEMBRA?

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A história continua…

O COMEÇO DO SOFRIMENTO

Acordei cedo tomei um banho e fomos à clínica, o dia da punção havia chegado.

Cheguei na clínica às 07:30 da manhã, e fiquei aguardando ser chamada para fazer o procedimento.

Nossa hora chegou, subimos nos paramentamos e ficamos ansiosos na espera de que tudo acabasse logo.

Após a punção (clique aqui), fiquei na sala de recuperação por cerca de duas horas e já fui liberada para ir pra casa. Saímos de lá com uma receita em mãos de alguns medicamentos para dor, gases e para prisão de ventre.

Fiquei na casa da minha mãe, por ficar mais próximo à Maringá, cidade que faço o tratamento. No mesmo dia, quarta-feira pra ser mais específica, fiquei sentindo algum desconforto, mas nada diferente do que já tinha passado nos pós cirúrgicos anteriores.

Mas a noite a coisa começou a complicar, minha barriga parecia ter dobrado de tamanho estava sentindo muita dor e mal conseguia me mexer. Achei que pudesse ser normal, tomei meus remédios e adormeci.

Na quinta-feira acordei maior ainda, estava com uma barriga de cinco meses com muita dor e não conseguia ir ao banheiro. Fui me pesar e qual não foi minha surpresa, vi que estava com quase 3 quilos a mais que o meu peso normal. O queee????

Sem entender o que de fato estava acontecendo ligamos para o médico e ele disse que a princípio isso seria normal, mas que se o quadro piorasse, eu teria que ir pra lá pra ele me ver.

Adivinhem… Piorei… fomos a Maringá novamente e ele fez uma ultrassom em minha barriga e constatou que estava cheia de líquido. Lá descobri que eu estava passando pela Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (clique aqui). Foi quando ele nos contou que no dia da punção havia mais de 30 folículos e outros menores ainda e que eu havia respondido bem aos medicamentos (bem demais né, convenhamos), que minha situação inspirava cuidados e que teria que ser monitorada.

Até aí, tudo bem… dor eu aguento! O que fez meu mundo cair é que os embriões que estavam “nascendo” no laboratório, não poderiam ser transferidos naquele momento!!!!

Voltei, mais uma vez, pra casa fazendo o que Brasil???  Chorando muito!!!

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CIRURGIA II – VOLTANDO AO INÍCIO

Me preparei para a segunda cirurgia. Mesma coisa que a primeira , correr atrás de fazer todos os exames, liberação do plano de saúde, passar pelo anestesista, agendar data e enfim, esperar o dia para me internar no hospital.

Eu tinha muitas dúvidas de como seria essa nova fase no tratamento, se engravidaria, se sofreria.. tanta coisa…

Tudo certo e pronto. Fomos à Maringá, eu me meu marido e chegando ao hospital não havia vaga no setor correto, sendo que eu fui realocada em uma ala diferente da que deveria ficar.

Affffff….. pensa num atendimento ruim que recebemos… não me deram os remédios que deveria tomar e por isso não dormi direito, até um Aedes Aegypti (mosquito da dengue), encontramos no quarto! Foi tenso!

Minha cirurgia estava marcada para 06:30 da manha, era 07:30 e nem a roupinha da vergonha não tinham me trazido, quando a enfermeira chega no quarto e me pergunta: “ué, não era pra você estar na cirurgia?”, e eu calmamente e plena (por dentro não, estava bufando) respondo, pois é…. até agora ninguém veio me buscar nem me preparar para ir ao centro cirúrgico!

Aí, educadamente ela voltou e jogou a roupinha da vergonha na cama e disse: “se troca, o enfermeiro já está vindo te buscar”… eu respondi.. sim senhora!!!

Depois que cheguei ao centro cirúrgico… foi só alegria… êta sono bom esse de anestesia geral heim!!! Quem nunca tomou uma, recomendo!!! MENTIRAAAAA!!!!! Não façam isso, sou doida mesmo!!!! Hahahahaha

Mas a cirurgia foi tudo bem, demorou tipo uns dez minutos, 09:30 já estava no quarto, mas daí até eu acordar… já são outros quinhentos!!!! Qualquer dia, coloco meu marido pra contar como fico depois das cirurgias…

Descobri que teria que tomar mais um mês de zoladex… a bicha da endometriose grudou em mim de um jeito… que olha….

Terminado o tratamento com a Zoladex, fomos novamente ao médico para que ele nos dissesse como faríamos de agora em diante. Como eu e meu marido somos jovens, ele nos orientou a tentarmos naturalmente por seis meses primeiro, essa não era minha vontade, pois já tinha estudado a respeito da endometriose (grau IV – severa) e os estragos que ela pode fazer no sistema reprodutivo, já queria partir direto para a Fertilização In Vitro, mas o médico não pensava assim.

Meu maior medo, além de não engravidar nesse período, era ter que me tratar novamente com Zoladex, meu médico garantiu que isso não aconteceria (uhum… sei…).

Que comecem os jogos, não é assim? Vamos voltar ao início de tudo, indutores, controle de ovulação, US, muitas idas a Maringá, coito programado (isso pode acabar com um casamento – clique aqui), injeções e muitos medicamentos.

Todo mês, de novo aquela frustração do segundo palitinho não aparecer, exames de sangue negativos, a sensação de impotência perante essa doença silenciosa e tão devastadora é sem igual.

Ao final desses seis meses, mais precisamente em dezembro de 2016 nada de gravidez e triste por não ter conseguido marco, mais uma vez, outra cirurgia para ver como havia sido o progresso da endo em mim.

Ao término de mais uma internação para o procedimento e no retorno à clínica após o período de repouso para retirada dos pontos, o médico vem com mais notícias ruins.

Ele disse que minha endometriose é muito severa, que em apenas seis meses ela havia se alastrado novamente e que havia focos novos, que não estavam ali antes.

Que beleza, que alegria, tem boa notícia pra me dar não? Chega né…

Concluímos que não haveria outra opção a não ser a FIV

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ESPERAR O QUE?

Olá, meu nome é Talita, tenho 30 anos há 5 na busca do sonho da maternidade.

nunca havia me imaginado escrevendo, mas ultimamente tenho sentido a necessidade de fazê-lo para compartilhar meus anseios, alegrias, tristezas, histórias que com certeza você leitora ou leitor irá se identificar.

Desde criança sonhava em ser mãe. Sempre quis, sempre brinquei cuidando de minhas filhas e filhos.

Aqui quero compartilhar minhas etapas e tentativas para alcançar o meu milagre.

Quero também deixar aberto, para troca de experiências de todas nós que nos encontramos na mesma situação ou ainda, por aquelas que já alcançaram seu sonho, para nos ajudar com dicas preciosas.

Espero que gostem… um grande beijo!

PS: Pretendo colocar dois posts por semana, espero que consiga!

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