ZOLADEX, BENDITA MALDITA!

Então uma vez diagnosticada minha endometriose grau IV (profunda), meu médico indicou o uso de um medicamento chamado Zoladex. Uma injeção que deveria ser aplicada uma vez por mês na região do umbigo.

Mas o que era esse medicamento? O que ele faria comigo? Qual sua função no meu organismo? E os efeitos colaterais dele?

Eu não sabia nada, nunca havia ouvido falar, então lá fui eu ao querido salvador da pátria Google!

Quase morri do coração quando comecei a ler os efeitos colaterais (leia aqui)!

Quando li que minha voz iria engrossar (não iria não, esse é um efeito pouco recorrente, mas pra mim, já iria virar um locutOr de rádio hahaha), achei que fosse engordar uns 80 quilos. São muitos os efeitos, mas senti forte somente alguns.

Zoladex em simples palavras, induz artificialmente a mulher à menopausa, sim, MENOPAUSA, eu já sei o que é isso desde dos 28 anos!

Esse tipo de medicamento atua no eixo hipotálamo-hipófise-ovário. Ok, não entendi nada!!!! Calma, vou explicar…

O funcionamento normal dos ovários depende da secreção do hormônio GnRH que é produzido no hipotálamo, uma pequena área que fica dentro do cérebro. Este hormônio vai agir sobre a hipófise, que também fica no cérebro e, devido à ação do GnRH libera os hormônios luetinizante(LH) e folículo estimulante (FSH). Estes dois hormônios vão atuar sobre os ovários controlando o ciclo menstrual, ou seja, determinam a produção pelos ovários de estrogênio e progesterona.

Os implantes de endometriose (fora do útero) funcionam de forma semelhante ao endométrio que esta dentro do útero, isso quer dizer que precisa do hormônio estrogênio para sobreviver.

Os análogos do GnRH vão agir sobre a hipófise, impedindo a ação do GnRH e como consequência não teremos LH e FSH e por sua vez os ovários param de funcionar, levando a mulher a um estado de hipoestrogenismo, semelhante ao que acontece após a menopausa.

Dessa forma o que alimenta a endometriose é a menstruação, para que a minha não progredisse o tratamento indicado foi o uso da Zoladex durante seis meses. Eu usei a 3,6 uma vez por mês.

Existem outros medicamentos que proporcionam o mesmo efeito no organismo e são menos desgastantes digamos assim, ou seja, os efeitos colaterais não são tão ruins.

Nessa lista, podemos encontrar o Allurene, que é um repositor hormonal à base de dienogeste, um tipo de progesterona, que inibe a produção do estrógeno no endométrio. Como sabemos, é o estrógeno que alimenta a endo e com esse hormônio sintético de progestina, “as lesões não recebem mais o alimento e morrem de fome”, explicou Theo Vander Loo, presidente da Bayer no Brasil. Sem alimentar as lesões de endometriose, o Allurene promete combater às dores pélvicas e também à dispareunia, a dor durante as relações sexuais. Este usei somente um mês, outro dia conto toda a história.

A primeira aplicação (pensa numa injeção dolorida, tenho as cicatrizes dos  buraquinhos na minha barriga), foi tranquila (SQN) e minha menstruação já não veio desde então.

As ondas de calor (calorão como diz a minha e a sua mãe, certeza) começou somente a partir da segunda dose!

Meu pai, que calor.. algo terrível de explicar, que não tem hora nem lugar pra acontecer que te deixa sem rumo e sem direção! Seu rosto e peito ficam vermelhos, você começa a transpirar na linha da coluna nas costas e na testa! É vergonhoso!!! Hahahaha

E a noite? Que você está lá deitada com uma cobertinha deliciosamente quentinha abraçada a seu esposo e vem a desgraça do calor!!! É insuportável, meu marido  coitado, acordava e me ajudava a me abanar com os travesseiros até que esse calor todo passasse!!! E quando passava, vinha o frio, credo que frio! O pobre sofreu comigo todas as noites… me ama mesmo, porque pra me aguentar….

E o humor!!!! Não que eu seja brava ou qualquer coisa, sou uma santa!!! Mas nesse período a coisa ficou feia… Ao mesmo tempo que eu estava calma e tranquila, eu já virava “no Jiraiya”, e ficava louca, tá insuportável, cofesso… nunca tive TPM, pra alegria do meu marido… mas ele pagou todos os pecados dele durante os meses de tratamento com Zoladex, porque nesse período eu me encontrava constantemente de TPM, haja paciência comigo!!!

Tirando tudo isso, até que passou rápido esse período, e em março de 2016 faria uma nova cirurgia para verificar se o tratamento havia surtido efeito.

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A história continua…

ENDOMETRIOSE, O QUE É?

 

Quem está tentando engravidar sempre busca informações dos possíveis motivos de o positivo tão esperado ainda não ter chegado e eu não era/sou diferente.

O Google coitado, já está até enjoado de tantas coisas que pesquiso a respeito.

Mas você que está lendo, mesmo que nem passe por sua cabeça ser mãe, leia até o final desse post (tá grandinho, mas vale) ele pode te ajudar…

Eu já tinha ouvido falar a respeito da endometriose e sabia vagamente do que se tratava e bem mais ou menos a respeito de sus sintomas.

Mas eu não tinha endometriose, EU NÃO!

Quando meu médico me disse que a probabilidade de possuir a doença era de 98%, me preocupei, mas nem tanto, porque conhecia várias portadoras que já eram mães e comigo não seria diferente (olha que pensamento positivo Brasil).

Então fui procurar a respeito da endometriose e descobri que:

Trata-se de uma doença INCURÁVEL, apenas com tratamentos para aliviar a dor e amenizar outros sintomas (o pensamento positivo ali de cima, já não tava mais lá aquelas coisas…).

Endometriose é uma doença caracterizada pela presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, bexiga, intestino, ovários, trompas. Todos os meses o corpo feminino se prepara para uma gestação, deixando o endométrio com uma camada espessa para que o óvulo fecundado ali se implante e de início a uma gravidez.

Em um ciclo de uma mulher normal, não havendo fecundação e implantação, essa camada do endométrio de descola ocorrendo a menstruação e tudo é eliminado.

Com as mulheres portadoras da endometriose, um pouco (no meu caso MUITO) desse sangue (tecido endometrial) migra no sentido oposto e cai nos ovários ou na cavidade abdominal, causando a lesão endometriótica. As causas desse comportamento ainda são desconhecidas, mas sabe-se que há um risco maior de desenvolver endometriose se a mãe ou irmã da paciente sofrem com a doença, (não é meu caso, minha mãe não teve/tem problema algum para ter filhos, mas pode ser o seu).

É importante prestar atenção aos sintomas:

Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, 60% têm dor e infertilidade, e 20% apenas infertilidade.

Existem mulheres que sofrem dores incapacitantes (EU! Só no primeiro dia) e outras que não sentem nenhum tipo de desconforto. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação;
  • Dor pré-menstrual;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Dor difusa ou crônica na região pélvica;
  • Fadiga crônica e exaustão;
  • Sangramento menstrual intenso ou irregular;
  • Alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação;
  • Dificuldade para engravidar e infertilidade.

A dor da endometriose pode se manifestar como uma cólica menstrual intensa, ou dor pélvica/abdominal na relação sexual, ou dor “no intestino” na época das menstruações, ou, ainda, uma mistura desses sintomas.

Fontes: Dr. Sergio dos Passos Ramos CRM17.178 – SP

Lima, Geraldo Rodrigues de; Girão, Manoel J.B.C.; Baracat, Edmund Chada. Endometriose. In: Ginecologia de Consultório. 2003.1ª Edição. P.165-173. Editora de Projetos Médicos. São Paulo-SP.

No meu caso, os sintomas não eram recorrentes, acredito que por isso que nunca passou na minha cabeça que poderia ser portadora.

As cólicas menstruais, quando ocorriam, eram sim intensas, tinha muito vômito, tonturas e muita fraqueza, diarreia, dor no corpo inteiro principalmente nas costas e pernas.

O que eu ouvia falar sempre, era que quem tinha endometriose deveria ter dor em TODOS os dias da menstruação (informação totalmente equivocada) e por não ter dor todos os dias da menstruação, eu acreditava não ter endometriose.

Se a doença for detectada logo no início, o tratamento poderá ser instituído precocemente, aumentando a efetividade de alívio dos sintomas. Para isso, a mulher deverá relatar ao médico as situações atípicas e quaisquer outros problemas que possam ser sintoma da endometriose.

Com minhas várias pesquisas a respeito, depois da descoberta da doença, comecei a procurar meios naturais de amenizar minhas cólicas e o imenso desconforto mensal. Encontrei então um estudo feito a respeito da eficácia do Resveratrol para doenças inflamatórias como a endometriose, por exemplo.

Este composto encontrado na natureza é ótimo para várias outras coisas sendo que me ative ao meu caso em particular, mas esse será um assunto para um único Post… Aguardem!!!

O objetivo aqui é auxiliar as mulheres com endometriose ou suspeita da doença além de conversar com seus médicos, na coleta e organização de informações relacionadas ao ciclo menstrual, como dor, impactos nas rotinas diárias e padrão de sangramento. Dessa forma, a conversa com o especialista fica mais fácil.

Consulte seu médico, caso tenha qualquer desses sintomas ou reações…

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A história continua…

O DIAGNÓSTICO

Como contei no post anterior, fiz a cirurgia para diagnosticar a endometriose (pra quem possivelmente não conheça esta doença, clique aqui).

Quando retornei ao quarto grogue da anestesia (muito doida na verdade, quem sabe eu conte pra vocês ou meu marido, já que ele sabe muito mais que eu das presepadas que falei e fiz! hahaha).

Tive que ficar com sonda, minha bexiga estava infestada de focos de endometriose e nas palavras do médico, como teve que mexer muito, era melhor eu não forçar sendo necessário o uso da sonda! Que coisa horrível, odiei os dias que passei com a sonda!

Pra ajudar, me deu infecção, com febre alta por causa da porcaria (perdão da palavra) da sonda! Se um dia usarem sonda, prestem atenção à cor da urina (escura ou avermelhada) e Calafrios, tive calafrios e porque eu não sabia nada dessas coisas não percebi os sintomas da infecção em mim! Enfim, tomei antibióticos e melhorei graças a Deus!

Passados os sete dias de repouso para recuperação da cirurgia, voltei à clínica para tirar os pontos e tirar minhas dúvidas com meu médico. Me lembro como se fosse hoje que cheguei na sala do médico e perguntei: “Dr, de um a dez, qual o grau da minha endometriose?”; e o Dr calmamente responde: “quatro!”… Nossa qual não foi meu alívio ao ouvir isso, porque de um a dez, eu estava no quatro!!! To no lucro!!! Uhummm!!!! Sei…

Acho que o médico viu minha cara de alívio e já quis quebrar meu momento de alegria ao dizer: “Talita, de 1 a 4, você está no QUATRO!!!!! Endometriose grau QUATRO!!!!! Isso ficou martelando na minha cabeça e enquanto ele explicava quais seriam os próximos passos, eu já nem conseguia ouvir mais… só ficava grau quatro… grau quatro…

Meu tratamento inicial seria seis meses tomando um medicamento chamado Zoladex (tema de outro post) para ao final desse período fazer outra cirurgia e checar se o tratamento havia sido eficiente.

Voltei pra casa chorando, pois toda a expectativa de logo engravidar foi ao chão.

Os intermináveis seis meses acabaram e chegou a hora de marcar a nova cirurgia, porém (contudo, todavia, no entanto…. lembrei das minhas aulas de português no ensino fundamental!!! Hahahahaha) descobri que teria mais um mês de Zoladex pra tomar e depois, estaríamos liberados pra tentar engravidar novamente.

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A história continua…

A DESCOBERTA..

Como contei um pouco no post anterior, no ano de 2012 parei de tomar anticoncepcional, nada de gravidez. Em 2013, procuramos ajuda profissional, várias US, exames, em mim e meu marido, uma SOP descoberta no meio do caminho, mas nada de gravidez.

No começo de 2014 dei início ao tratamento com um médico especialista em reprodução humana, em uma cidade que fica a 150 km da minha, sacrifícios são necessários.

Ao chegar na clínica, em nossa primeira consulta, como já tinha um histórico de tentativas o Dr pediu que fizesse alguns exames para ver o que mais poderia estar atrapalhando o nosso sonho.

Ao final desses exames (em outro post falo sobre eles), ficou constatado que eu poderia ser portadora da temida endometriose, mas para ter certeza do diagnostico, deveria passar por uma intervenção cirúrgica por vídeo (videolaparoscopia).

Eu estava disposta a qualquer tipo de tratamento, então marcamos a cirurgia (na verdade marquei, desmarquei, marquei de novo… TEMA PARA OUTRO POST, hehehehe).

O dia chegou, estava nervosa, não sabia como seria, não dormi direito a noite, mas correu tudo bem, graças a Deus!

Tudo bem na cirurgia, mas as notícias não eram as melhores.. algo não havia saído da forma como eu planejava.

Antes de fazer a cirurgia, eu busquei em vários blogs e sites mulheres que haviam passado por procedimentos iguais a este que iria fazer e em muitos casos, elas haviam engravidado poucos meses após a cirurgia! Uau!!! Esse poderia ser meu caso e me agarrei nisso (boba)…

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A história continua…